
Francisco sentiu afastar a água do coração
amortecido por um sentimento avassalador
perante o olhar límpido e azul de Mariana
sorriam protegidos sob a enorme caixa
pintada de cal
como um casulo a céu aberto
um pedaço de chocolate
serviu para comungar o instante conselheiro
que sucedeu a conversa entre ambos
do corpo amado estudava a harmonia do cotovelo
com uma inocência de criança
uma tolice ter criado um degrau de distanciamento
com base em vivências do passado
diante do sorriso de Mariana
sentiu-se a emergir para a luz envolvente
como quem desperta de um sonho erodido
cujo exponente de sabedoria se compara a um farol
a um campo de flores
à fusão indescritível de sentimentos
Francisco sentiu um amor imenso
a dissipar o inferno de dúvidas
em que quase deixara inundar a alma
a alegria entrou sem pedir licença
tornou-se a linha mágica do horizonte
sem lodo, nem loucura
só romance ao luar
numa manhã de mar manso
sem método, nem pensamentos de morte
num movimento em sintonia, nefelibata
sem obstrução
sentindo o sabor do orvalho
no ar e na pele
esquecidos do ostracismo criado pelo medo
reuniram-se num enlace terno
no país das maravilhas
uma pena a esvoaçar
raízes floridas a decorarem os cabelos
a face de ambos rosácea
a silhueta do reencontro
num sobressalto
entre a luz do sol e a sombra
uma tapeçaria de afectos
sem tempestade
num diálogo ténue
ondulante como o vapor do ar
a vasculhar
que celebra a viagem da vida
e da sua vulnerabilidade









