domingo, outubro 26, 2008

7º Jogo das12 Palavras - 1ª Parte

Eis-nos chegados a um número místico: o 7.

O 7º Jogo, com 42 - quarenta e dois - textos está no ar, embora algumas almas atrevidas, entre as quais me conto, hajam decidido bisar ou...trisar, respondendo à minha sugestão.
Por outro lado dá-me muita alegria informar que continuam a chegar aderentes ao nosso Jogo das 12 Palavras.
Assim temos connosco, pela primeira vez, a Claras Manhãs; a Cristina Miranda e o VFS.
Bem vindos sejam.

Amigas e amigos da primeira hora continuam ausentes e deixam saudade.
Esperemos que as vidas lhes permitam o regresso,a breve trecho, ao nosso convívio.




VIDA

Vidas, encontros, desencontros, uns e outros, cruzamentos, linhas perpendiculares,
Linhas paralelas, felicidades, tédios, aconchegos, desassossegos, luz, harmonia, para no fim a capitulação encher de escuridão os que eternos se desejaram amantes.
Amante é quem exprime o maravilhoso acto de liberdade, como um bailarino rodopiando num “pas de deux” feito acto de amor com a sua bailarina. Amantes, são, quem souber ser, além de um sentimento, um irradiar de cor, em não perfeita, mas cúmplice sintonia, onde cada gesto, por mais ínfimo que possa parecer, não sem esforço, tenha sempre um superior valor, a qualquer galanteio, puramente plástico e falaz.
Jorge Santos

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O galanteio

o galanteio deve ser gesto de liberdade mútua. visa expressar um sentimento pelo que deve ser natural. fluir sem esforço. em harmonia com a luz do ser, tal como um bailarino sem capitulação combate a escuridão da apatia em sintonia com a emoção. embora falaz vale sempre a pena. se genuíno.
Eremita

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memória

cruzaram-se na faculdade e ele dirigiu-lhe silencioso, mas intenso galanteio. os olhos irradiando luz.
ela aprendera já quão falaz eram esses gestos.
sem capitulação nem esforço continuou a sua vida, alheia ao assédio dos muitos rapazes que se rendiam à luz de seus olhos - que afastava a escuridão - ao seu corpo esbelto e seu caminhar de gazela.
era harmonia em movimento. tudo estava em sintonia. até o alheamento ao efeito causado nos homens lhe acrescentava fascínio, atracção.
era de convívio fácil e aberto, mas havia nela algo que os intimidava.
rondavam-na, bebiam-lhe os gestos, os movimentos…todos lhe invejavam a liberdade mas era esta que os coibia. era tão natural e espontânea, tão fraterna e igual entre pares que nenhum se atrevia a um gesto ou palavra mais ousada.

de vez em quando cruzava-se com aquele colega que não conhecia e sempre via em seus olhos aquela doce e terna luz do silenciado galanteio.

quarenta anos volvidos Maria Lúcia lembra o primeiro encontro com o marido e sorri ternamente lembrando a bailarina luz em seus olhos, plena de sentimento, que ainda hoje os anima sempre que a fita

TMara

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no lusco-fusco

é na hora da capitulação da luz à escuridão, naquele falaz momento de transição em que tudo no mundo parece estar em sintonia e harmonia que, sem esforço, num gesto de liberdade e auto-galanteio, me ergo. orgulhoso bailarino no lusco-fusco onde tudo parece perfeito sentimento.
Amla

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Até…

“Gosto de te ver ir, porque gosto de te ver voltar”…
Um dia ouviu estas palavras. Pronunciadas com tanta harmonia, tanto sentimento, quase um grito de quem pretende mesmo expressar a forma da liberdade. Saíam de sua boca várias vezes, sem esforço. Saíam até, acompanhadas de um gesto galanteio.
E a frase era como uma bailarina na sua mente… tão doce… tão suave. Parecia penetrar na sua luz em plena sintonia com a sua escuridão, do seu tão recôndito Eu.
Mas o tempo… os olhos e os ouvidos, pertença daquela boca que tão suave e doce frase disse, deixaram de ver e ouvir. Provando assim dolorosamente que, era uma frase simplesmente falaz.
Doeu-lhe bem fundo… revoltou-se… insurgiu-se … e por fim…perdeu a força e deixou tomar posse de seu coração a capitulação. Até ao dia em que… Até ao dia… Quem sabe… Até.
Lis Varela

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Fragilidade

a luz jorrava à sua passagem afastando a escuridão que, ao mínimo gesto, se vergava em capitulação. caminhava sem esforço em total liberdade e perfeita harmonia ensaiando passos de bailarina atenta ao mínimo galanteio que, embora falaz, estava em sintonia com o seu estado de espírito. o sentimento de insegurança que a atacara pela manhã. fugaz e breve momento de vaidade permitido.
Sereia

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Voo
Sem capitulação, na escuridão da noite, mergulhada na luz do sonho, sem qualquer esforço, mente, corpo e espírito, em perfeita sintonia, com um só gesto, Lúcia ergueu-se em belos e coreografados movimentos. Sentimento em voo e liberdade a etérea bailarina rompeu todas as leis da gravidade. Pura harmonia. Galanteio do ser à vida embora falaz(es) ambos.
Dark

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Aquela rapariga que nos servia de modelo na Escola de Belas Artes tinha um rosto
quase igual ao de Haudrey Hepburn mas um corpo belíssimo, de gesto em permanente harmonia, exprimindo lberdade e luz, uma delicada sintonia com a natureza do contexto e da função. Esta figurinha elegante, carregando as suas frutas, livros, uma blusa de linho para os intervalos, tinha por nós um grande sentimento de solidariedade, fugia da escuridão, do esforço falaz, todos os seus movimentos exprimiam uma espécie de galanteio. Nos intervalos vestia um corpete de linho, comia maçãs e lia Paul Éluard. Embora parecesse respirar saúde, o seu corpo de bailarina teve de aceitar a capitulação por ter lesionado a coluna ao procurar aceder à perfeição.
Rocha de Sousa

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pas de deux




em sintonia
com o sentimento
os bailarinos
sem esforço nem capitulação
saem da escuridão para a luz
num gesto
de falaz galanteio
de pura harmonia e liberdade




ana eugénio

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Angústia

Já não dispenso a voz que cresce na escuridão
A harmonia do gesto, a doçura do galanteio
A sintonia na esperança do que nada é

Quando a minha alma se esvai na liberdade do voo
Bailarino falaz na procura do sonho, do veio
Que me conduz à luz
Que me enleva o sentimento
Que me cura a dor
Da solidão

Num esforço derradeiro, numa ânsia
De arquitectar distância
De querer cortar os ventos
Soltar as amarras, meu canto
Meu fraco lamento,
Antes da capitulação
Miruii



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O sentimento falaz
é um gesto bailarino
um não galanteio de liberdade
é capitulação
e esforço
e não é luz nem harmonia
e da escuridão
não é sintonia.
Paula R



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O relógio


O relógio balarino que marcava mesmo na escuridão, todas as fracções da minha existência a decorrer em completa harmonia, parou.
Em sintonia com ele e, por isso, em capitulação com o sentimento que por ti eu sentia, foi-se a luz, também.
Agora, faço um esforço, talvez falaz, é certo, para voltar à liberdade de novamente sentir um outro amar, mas, qualquer gesto de ternura, qualquer galanteio, que me sejam dirigidos, mais não servem, senão para me lembrar-te e sofrer em silencio por esta paixão que apagaste.
Benó

4 comentários:

TMara disse...

até aqui já li, com atenção e prazer. Parabéns a todos e obrigada ao nosso amigo E pela trabalheira k lhe damos e paciência k smp demosntra.
Bom Domingo. Bjs
Luz e paz em nosso caminhar

Paula Raposo disse...

Todos lindos!! A imaginação é ilimtada...beijos.

Justine disse...

Mais um trabalho brilhante de um colectivo de que me dá muito prazer fazer parte.

M. disse...

Parabéns a todos por tão bem se terem saído de novo neste 7º jogo.