quinta-feira, abril 10, 2008

TEXTOS 1º JOGO DAS 12 PALAVRAS -1ª parte

Amigas e amigos:

O meu computador bloqueia quando coloco todos os textos num único post pelo que estão desdobrados em dois.

A colocação dos textos foi totalmente aleatória.

Boa leitura e apreciem toda a riqueza criativa,e não só,que com simples doze palavras foi elaborada e aqui se apresenta.

Espero que gostem, se deliciem com o desafio e continuemos o nosso jogo lúdico de construir textos tão diversos, E POR ISSO MESMO TÃO RICOS, partindo das mesmas 12 palavras e do imaginário e questões mais sensíveis a cada uma/um.

I

Nem o distanciamento me impede de comungar desta paisagem agreste, desafio tão interessante que se renova em ciclos. Á minha volta penhascos que o tempo se encarregou de desfigurar, rendilhados, erodidos, mas nem por isso menos atractivos....Na fusão com o infinito, mar imenso coberto de um céu azul onde de quando em vez venho descarregar uma tempestade de emoções....
Nesses momentos recorro a um guia, meu farol, meu anjo da guarda, presença que torna a queda amortecida num abraço avassalador..Também nos corpos se nota a erusão própria de quem já atravessou desertos e se renova em cada primavera..Cada ano traz consigo o renascer do mundo, em cada gesto, em cada olhar, em cada sopro de brisa , em cada sorriso de criança...A vida em metamorfose constante, em cada ciclo ao sabor de ventos e tempestades..
Ell Alves

II

Sei que regressaste ao farol da nossa memória. Sei que sim. Sei que buscas o refúgio naquele mar, o nosso imenso mar, berço da fusão dos nossos corpos num dia avassalador e numa noite longa que permaneceu na história como uma das maiores tempestades de sempre.

Hoje tenho-te como em todos os dias. Em cada gesto da memória saio sempre mais amortecida, é infinita a saudade no meu coração já erodido pela passagem inevitável do tempo e pelo distanciamento que o fado nos pronunciou na sua dura sentença.
Que nos resta comungar? Nem tu, nem eu, nem nós. Apenas o mar, o céu e o nosso sonho azul...
Marta M.

III


Havia um tempo. Tempo de Tempestade. E, apesar disso, com céu e mar azuis. O Simão e a Gatinha, fieis companheiros, com um imenso sentido crítico, já tinham alertado para o distanciamento que adivinhavam nele. Ausente, não física mas espiritualmente, era avassalador o seu silêncio. Ambos pediam, ele rosnando, ela miando, que os deixassem comungar com ele os seus problemas.
E nesse tempo, em que se pressentia uma terrível tempestade, também havia um dia muito lindo, uma esperança, um azul no céu que alegrava a alma. Tal como um farol que nos guia, ele tinha que saber que as suas angústias eram passageiras. E um imenso e lindo arco-íris, desenhava-se no horizonte. Era uma fusão de luz e cor e também sons, que faziam com que ele, amortecido até então, despertasse para a vida. Vida essa que, na vertigem de um mundo difícil, não o deixasse tão erodido. Vida que ele agradecia diariamente. Porque, apesar de tudo, ele ainda tinha muito para dar e receber.
Zé-Viajante

IV

O FAROLEIRO

Ela era o farol da sua vida, a luz que o guiava por entre as tenebrosas noites de solidão.

A paixão que sentia no seu peito, dava-lhe coragem para transpor as barreiras daquele distanciamento, daquele mar sempre em tempestade.

A dificuldade da sua vida era amortecida pelo isolamento naquela ilha mas, quando os dois seres se encontravam deixavam transparecer na perfeita fusão dos seus corpos todo o imenso prazer e felicidade que só é sentida por quem se quer com um amor tão avassalador..

Aquele sentimento profundo ajudava-o a comungar com alegria nas duras tarefas do seu quotidiano e apesar de todas as dificuldades sentidas gostava de pensar nela olhando o céu azul e sentir que, nada na sua existência, desde que a amava, se tinha erodido ou danificado.

Tudo era perfeito quando a tinha nos seus braços e a felicidade existia!
Benó


V


O Mar


Hoje um mar diferente
Um mar em fúria
Avassalador
Fico olhando-o
Mas, hoje não me apazigua,
a minha tristeza vai sulcando
erodido em mim
a solidão
E eu...
Amortecida
Percorro a distância
Que vai do céu
Que já não é azul
Ao farol
Que o mar hoje não quer ver...
Eu...
no imenso distanciamento
Que sinto entre mim e o meu mar
Deixo-me trespassar
pela fusão
Da sua fúria em mim..
Mas avanço
Hoje sou eu
Que vou acalmar o meu mar,
E vou comungar da sua dor,
Até que a tempestade se vá...
Dair

VI




Aquele céu era avassalador
De profunda cor azul celeste
Distanciamento maior de amor
Com que o dia sempre se veste

Namorava às claras com o mar
Fintando a tempestade amortecida
As plúmbeas núvens em fusão de amar
Dando-se por inteiro à própria vida

Comungar o imenso espaço celestial
Esquecendo o espaço sideral perdido
Em fusão com a energia primordial
Farol iluminando algo já erodido

Ao comungar tão intensa energia
Dá-se por inteiro, alma e coração
Transforma em passe de pura magia
Coragem de ser coração e pura razão
José António




VII

O Céu abriu-se, azul,
Após a Tempestade...
Como se também fosse um imenso mar...
Estendendo-se, ao infinito,
Canto, asa ou grito
Em busca da Verdade...

Frente ao meu olhar
Abriu-se a DISTÂNCIA,
Um risco, uma fragrância...

Paisagem erodida
P'lo vento rugidor.
Avassalador,
Imagem
Agora amortecida
Pelo distanciamento das nuvens castelares
rolando com fragor
em simetria aos mares...

Céu e Mar...
Tu e eu...
Mar e Céu, revelando então
Sua fusão
Como a memória de um respiro
A comungar...

E, lá ao fundo,
Ergue-se um Farol,
Testemunho mudo
Deste nosso inteiro olhar...
Isabel




VIII



Sabor a mim, a nós… e a ti


Amanheceu um céu avassalador
Precipitei-me nas rochas
Daquela rua inexistente
Sem mar, nem o sonho do imenso amor
O declive erodido salvou-me
E deleitei-me no distanciamento do azul
Ele, conforto de farol,
guia e senhor
À sombra das estrelas
Fugidias, fortes, luzidias
Sentiu a antítese do calor
De uma penetrante fusão
Por fim, o lençol amortecido
Testemunha os sonhos de furor
Assim, sem pequeneza, nem coração
De um comungar sensual
Que não adivinhava o tal tremor
Impetuoso, o vento voltou aos teus cabelos
A tempestade desceu nos telhados
Arrepiando todos os pêlos, sem pudor…
Eli Rodrigues


IX


Partir de um Sonho

A noite foi escura e fria. Lá fora a chuva caiu intensamente, batendo com força nas vidraças provocando um concerto de sons ensurdecedores, que convidavam a paixões e loucuras inconfessáveis.
Tudo parou de repente. A tempestade passou.
E como num passe de mágica, entrava agora pela janela uma brisa matinal, fresca, normal para uma manhã de Primavera.
Uns poucos e ténues raios de sol teimam em romper nuvens, mostrando pequenos retalhos de um céu azul. O aroma que paira no ar é uma fusão de cheiros inebriantes a esta hora do dia, num misto a terra molhada e [a]mar que despertam sentidos. O oceano transformou-se num imenso lago que vai lambendo o penedo erodido pela força de outras tempestades, onde descansa o velho farol.
Na cama, palco de um avassalador bailado, onde os nossos corpos se fundiram em entregas sem reservas nem condições, dormes ainda.
Olho-te com carinho. É belo o teu semblante adormecido, alheio à dor que me trespassa o coração e me deixa amortecida.
Em breve terei de partir. É inevitável este distanciamento que adivinho. Porque a vida corre para lá deste quarto onde as cortinas esvoaçam numa dança sensual. Onde o sonho se fez real por momentos feitos de silêncios e sentires.
Vou partir, vou deixar crescer asas, e um dia... Um dia volto. Inteira.
Voltarei a este quarto, onde agora te deixo adormecido, para contigo comungar o momento, tornando real o sonho que ambos partilhamos.
Micas

X



Tempestade


Seriam as duas, naquela imensa tarde
Imensa de cinza e ocre
Imenso nela o horizonte

No céu, deslizes de tempestade
Pontas de setas
-Ou seriam facas brilhando-
Um delírio de dança

Quem pegaria os fios daquelas marionetas?
Dos dedos de que deus, aquele bailado?
(Fusão dos elementos, diriam muitos)

Mais além do que era longe, um outro longe
Um distanciamento assim como se fosse o espraiado de um mar
Assim como se fosse o foco amarelado de um farol

Perdiam-se nossos olhos
Até onde o céu dava, era cinzento
Depois azul
-De tom diverso do manto da Senhora
Morria Ele no seu colo-
Um misturado de azul de tempestade e azul de Primavera
Talvez a cor de céu no pino de Verão
Talvez o azul dos olhos de quem amo
Azul de Agosto sobre uma ceara
-A calma amortecida num bafo de brisa-
(Um azul fosforescendo, diriam)


Alheias ao ser o céu cinzento
Alheias de que seja ele azul de mar
Alheias de que fosse ele um céu de Agosto com ceara por baixo
-Ou que o cortasse a meio a descarga de um raio-
Elas

Nas lajes frias de igrejas
-erodido granito de muitos tempos-
No sopé de montes
Na cabeceira de doentes
Trazendo gente ao mundo
-ou um bezerro-
Lavando, pendurando, cozinhando
-amando sempre-
Elas

Cabeças debruadas de uma luz que ofusca
-mais que os luminosos que cortam o horizonte-
Dobradas em seus frágeis corpos
(Ajoelhadas, diriam muitos)

Eruditas em outros saberes
-que nem escritos em livros
nem ditos nos salões
igrejas, sinagogas, mesquitas-
Solilóquios que são em suas bocas as palavras
-ritmadas, surdas-
Um comungar em murmúrios a solidão dos mundos
(Rezam, diriam muitos)

Elas
Convocam deuses e duendes e fadas
-forças da natureza e demónios e faunos-
Murmuram a Palavra
-O poder avassalador da Palavra-
Elas que sabem
Evocam- Na

Ecos de Céus e Mundos e Universos
Naquele imenso, pelas duas da tarde
Mcorreia

XI


A Revolta de Gaia

Avassaladora a tempestade ergue-se imensa, abrangendo, unificando céu e mar, erodido o azul de ambos, amortecida a luz do farol na fusão das trevas.
Nuvens e turbulentas águas, na terra e no céu, anulam o distanciamento entre eles fazendo-os comungar da explosão dos elementos em fúria de Gaia.
Eremit@

XII

A Senhora do Farol


Contavam, na povoação, que uma mulher vagueava, em noites de tempestade, entre o velho farol e o mar imenso. A sua silhueta destacava-se no horizonte, sempre que a luz azul iluminava a noite. Diziam que vivia longe, num distanciamento propositado da população daquela vila e carregava com ela uma dor amortecida pelo tempo, mas que lhe retirara o gosto de estar com os outros. Sempre só, naquele jeito de comungar sentimentos apenas com as águas que lhe escutavam as palavras. Quando se revolviam e batiam nas rochas com um ruído avassalador, só ela parecia fazer a fusão entre o mar e o céu. Encostada ao enorme rochedo erodido pela fúria dos elementos, dizia o povo que era a ponte entre as gentes daquela terra e alguma divindade vingadora e que só ela tinha o poder de acalmar a tempestade. Por isso a chamavam de Senhora do Farol e lhe espiavam os passos, sempre que no ar ecoava o ruído atemorizador que conheciam das memórias sem tempo certo.
Vida de vidro
XIII


Acordou amortecida pela noite e, ao subir a persiana da janela do quarto no gesto habitual de abrir a manhã, sentiu-se perdida naquele distanciamento azul onde mora o céu imenso. Estremeceu. Tomava consciência, uma vez mais, da sua pequenez humana dentro do universo que lhe oferecia um novo dia. A ideia assustava-a, pois sabia que se nada fizesse ele lhe fugiria de entre as mãos, desinteressante e empobrecido como todos os outros dias cuja presença ultimamente ignorava. Olhou a praia ao longe e encostou a cabeça ao de leve na vidraça, como se procurasse conforto para as suas reflexões. Perguntou-se então o que fazia dos nadas com que esvaziava a vida, ou que mar era o seu, onde flutuava como barco erodido pela tempestade dos pensamentos. Às vezes não sabia onde se encontrar para lá do mundo avassalador das memórias e do sonho que já não tinha ou onde comungar do que esvoaça sem que fosse capaz de agarrar essa fusão indistinta do que conhecia e desconhecia.
Passado algum tempo abandonou devagarinho o canto da janela em que se mantivera absorta, olhou em redor como se procurasse alguém, e disse em palavras sumidas que às vezes desejava que os dias morressem depressa e que a luz de um farol iluminasse as trevas que a perturbavam. Depois sentou-se no sofá onde habitualmente se aninhava e ali ficou até o dia se esvair no silêncio de si mesmo.
M

10 comentários:

M. disse...

É um prazer estar aqui com todos vocês.

M. disse...

estao demais!! ainda tenho de ler o outro e depois opino melhor mas alguns estao quase parecidos e podiam ser uma sequencia!
O máximo!

Abraço eremita :)

eremita disse...

Hoje vim, como leitor, não como operário, ler mais uma vez e deliciar-me com os textos.
Desde as reflexões sobre a vida, ao intenso amor vivido ou memórias dele, ao fantástico, ao mais intimista do ser, à esperança, ao louvor da força das MULHERES, por aí fora,..., afinal tudo que existe em nossas humanas vidas se encontra aqui retratado numa forma bela.
Pela beleza dos sentimentos e da expressão literária.
A todas e todos sou grato. A algumas e alguns amigos deixo desculpas, pois por mais que teimasse em repor os VOSSOS parágrafos originais, o blogger acabou desformatando e onde mais se nota é na poesia. Estranhamente para mim porque não percebo o porquê de a alguns poemas não acontecer, mas sim à maioria dos textos independentemente de serem prosa ou poemas.
Já tenho 9 palavras para o próximo Jogo das 12 Palavras, só falta um aamiga enviar, mas claro que temos basto tempo.
Grato pela adesão e beleza de expressões e reflexóes sobre nossa humana condição aqui ofertadas.
Se alguém não gostar do selinho que usei por favor envie um mais do seu agrado.
Fraterno e grato abraço e preparem-se para a 2ª volta do nosso auto-desafio-jogo-lúdico.

Maria Streibhardt disse...

É uma honra para mim estar aqui no meio de tantos autores magnificos, estão excelentes.
Abraço e bom fim de semana

Benó disse...

Venho desejar um bom fim de semana e mais uma vez louvar toda a energia posta neste jogo que tão bem foi aceite e comparticipado.
Está de parabéns, meu amigo!
O trabalho maior foi seu.
Nós só beneficiámos e divertimo-nos.
Um grande abraço.
Seja Feliz!

Raquel Vasconcelos disse...

Hoje em dia, porque já lá vão alguns anos, já me passeio mais desenvolta por variados blogues de variados temas ou modos de pensar. Desde políticos [se bem que eu seja ('quase') apolítica] a blogues de algum humor.
Também já manejo ferramentas que me facilitam essas viagens.
Mas no início sentia-me perdida. Não sabia por onde passear ou o que ler. Até um dia deparar com o que chamo de blogues literários.
Finalmente estava em casa. Comecei a respirar melhor. E a escrever mais, a progredir e a fazer amizades.
O certo é que ao vir aqui, me sinto outra vez nesses tempos.
Não há ideias impostas à força de palavras brutais por vezes, há sim ideais e poesia no ar.

Abraço Amigo,
bonita ideia, a que tiveste
Raquel

eremita disse...

Tens razão Raquel. Sentimo-nos bem ao ler textos de pessoas que, valha-nos, não são VIP's, mas mostram valores, ideais, integridade no sentimento expresso. Porque é coisa que se sente.
E mostram qualidade -também na escrita. Como disse a minha comadre Maria. E somos gente comum. Eu sei que sou.
A ideia pode ter sido boa mas nada seria sem todas e todos vós.
Grato
Fraterno abraço e bom fim-de-semana
P.S - fico feliz que te sintas bem . É uma casa de todos nós de portas sempre abertas

Sophiamar disse...

Vim ao encontro do teu blogue e fiquei deliciada com os textos que li. Como podem doze palavras dar origem a textos tão diversos!Uma proposta aliciante, eremita! Por enquanto ocupo o lugar de leitora. Irei passando com muito gosto.

Beijinhos

mac disse...

Como as palavras emitem diferentes significados...Parabéns pela iniciativa!

Blue Velvet disse...

Amigo Eremita,
ainda não tive tempo de ler tudo o que lhe foi entregue e fá-lo-ei, amanhã com tempo.
Vim agradecer a ideia, o trabalho que teve e a gentileza com que escolheu os selinhos para os posts de cada um.
Foi um prazer participar e se quiser, para a próxima cá estou.
Dias Felizes