porque não há longe nem distância... estou mais perto do azul e da luz_____________esta mostra-me coisas que não via _________a vida, viagem cheia de apeadeiros caminhos e atalhos___vivo ___________deixo que a consciência se torne UNA.
Era ousada, confiante, sem vulnerabilidades.Não admitia qualquer obstrução, desconhecia o sentido, melhor, a existência do medo, mas não de forma inconsciente.Inquiria e ponderava, elaborando um plano para a acção, como se escutando a voz de um conselheiro que lhe indicasse o caminho. A melhor forma de agir.Aquela criança era, para ele, suave orvalho sobre sequiosa terra, bálsamo de seus dias após a morte da mulher e da filha e com um simples balbuciar conseguia afastar toda a tristeza e dor.Recordou o dia em que se decidiu pela adopção e se apresentou nos respectivos serviços como exponente aguerrido, determinado e seguro do seu direito, enquanto homem só, viúvo, a adoptar uma criançaQualquer criança. Sem imposição de critérios ou exigências.Lembrou o dia em que foi ao sótão buscar a tapeçaria que Isabel fizera para o quarto da filha.Nela incorporara todos os seres, mitológicos e virtuais, os de contos, filmes e desenhos da própria e da predilecção de Maria Teresa.Usara materiais vários que ambas recolhiam nos passeios pelos jardins e praias, desde folhas, vidros coloridos, penas…Tudo o que de belo encontravam e as fascinava…No estilo naiff, a tapeçaria era belíssima e cheia de magia.Há muito saíra da parede da cabeceira de Maria Teresa e fora arrumada no sótão.Enquanto olha João brincando, afoito no mar, recorda a manhã em que a foi buscar para redecorar o quarto da sua ou seu futuro filho. Lembra-se de na altura haver pensado que seria um óptimo elemento decorativo porque fora tecida com amor.Estava impregnada de amor e irradiava-o.Seria um bom acolhimento para a criança que aí vinha.Saltando entre a rebentação João chamou-o. - Pai…anda cá paiiii….Levantou-se sorrindo e foi ao seu encontro. João, com a sua voz de criança, mas com uma segurança invulgar para a idade, disse: - Pára! Pára aí pai!Parou, curioso.João veio ter com ele. Andou em círculos, ao seu redor, calado e muito atento. Depois agarrou-lhe as mãos, ordenando-lhe que rodasse num determinado sentido e, súbito disse, com voz de comando: - Está bom pai. Fica quietinho.Viu-o baixar-se e, com um seixo que trouxera da rebentação, começar a desenhar o contorno da sombra, um pouco alongada pela luz do sol ao encontrar o obstáculo de matéria que o constituía, deixando no areal uma silhueta distendida.Sorriu.Perguntou-lhe: - João, como queres que coloque os braços?
Amla
Carlos Sobreda deambulava pelo Chiado abstraindo-se da modernidade que o rodeava. Mas a Brasileira, onde parou para um café, não perdera a dignidade característica dos outros tempos. Porém, sentado cá fora, estava um Pessoa que não podia desmultiplicar-se a não ser nas fotografias dos turistas e que lhe lembrava um homem estátua que vira em Paris. Olhou de soslaio para aquele Pessoa, esperando no seu íntimo, que este se levantasse e partisse.A manhã nascera de uma neblina invernosa mas tornara-se soalheira, e a sua silhueta desenhava-se na calçada com perfeição matemática, acompanhando-o sem a delicadeza de um pedido. Para Carlos Sobreda aquela duplicidade imposta zombava do domínio quase perfeito que tinha sobre tudo que lhe dizia respeito.Ao passar pela Bertrand deteve-se a contemplar a montra e os livros que estavam expostos. Tinha esse hábito desde criança. Não conseguia passar por uma livraria sem ficar hipnotizado por ela.No entanto, os acontecimentos do dia anterior não o abandonavam. Desta vez voltara a Lisboa para um último adeus. Tinha ido ao enterro de um velho e grande amigo, Luís Antunes. Desempenhara o papel de "conselheiro particular" de Luís ao longo dos anos, mesmo de longe, porque afinal era advogado e o outro, mais dado às artes, saltitava entre a pintura e a escrita conforme os humores - ainda que nunca tivesse chegado a exponente máximo nem numa coisa nem noutra. Ingénuo, quase acabara a experimentar alguns amargos de boca quando resolvera enfiar-se de cabeça num negócio de tapeçarias sem sequer pedir opinião a Carlos. Não que este, como advogado percebesse de tapeçarias, mas tinha olho para afastar os incautos dos caminhos inseguros em matérias de ordem prática.Carlos Sobreda entrou na Bertrand a reflectir sobre a vulnerabilidade do ser humano, sabendo que não havia obstrução jurídica nem pena máxima a aplicar a quem administrava o destino de forma tão invisível. Ali estava ele a escolher um livro enquanto as coroas de flores que enfeitavam a morte de Luís certamente se haviam enchido de gotas de orvalho que disputavam pétalas que também acabariam por fenecer.Concentrou-se nas estantes da livraria. Percorreu-as devagar e desta vez não lhe foi difícil encontrar o que queria. "Conversas entre Lisboa e Paris" de Luís Antunes. O único livro que o amigo nunca chegaria a entregar-lhe em mão.
Raquel
Há cerca de dez anos e até um pouco antes, o jornal DN, publicado de manhã, tinha um passatempo denominado Cem Palavras. Dado o tema, teríamos que escrever o texto em exactamente cem palavras. Tenho pena que nunca mais repetissem. Hoje, quase no fim do prazo para compor doze palavras, quero afastar o receio de perder o norte e nada escrever. (Voltei aqui pois a palavra morte e não norte...) Não, não é brincadeira de criança (se é, trata-se da meninice de um velho). O sono é bom conselheiro e ditou-me que, face à obstrução de ideias, só havia uma coisa a fazer: não desistir. Feita a tapeçariasde letras, que numa silhueta singela, se vão acomodando, resta-me dizer-vos que as palavras em falta, e são três, dão pelo nome de exponente, orvalho e vulnerabilidade. Batota na redação (ou redacção?)? Acreditem que não.Zé Viajante
Que afago tapeçarias suavesE traço a silhueta da luxúriaCom uma pena de sonho permanente.É no orvalho do desejo derramado,Sem a obstrução de juízos adormecidos,Que da morte nos acordamos acesosQuando a inflamada manhã nos sorri.És o exponente da minha fraqueza,És criança e mulher de raiz no teu sol,Onde me aqueço e me entronco mais forte.O teu ar é o conselheiro que me atraiPara te afastar de memórias a gritarNas brumas que te matam em silêncio.Nilson Barcelli
Boa leitura.
Aqui respira-se poesia!!!:-)Eduparadoxos
Completando o pensamento do Eduardo de cujo texto gostei muitíssimo : aqui respira-se poesia e é certamente por isso que este é um espaço com um perfume tão agrdável.Que belíssimos textos.Parabéns a todos.Um beijinho amigo e ao anfitrião um beijinho muito especial com todo o carinho amigo da Maria
Esta ... Maria ...:)Beijinhos
Que multidão de olhares! Que riqueza! E que escritores...
Estou parva.eremita que tal compor um livrito?e adorei sem descurar os outros todos o humor do texto do Zé Viajante.Até a vista, estou de ida! (mas ao contrário da minha personagem, nao vou desaparecer!)Abraçossss
os contadores de histórias ganharam voz no eremitério! enriquecendo-o de pura abundância :))
Estou deslumbrada, aqui se fala de morte, de vida, de alegria e tristeza..Se fala de crianças e de adultos, em prosa e em poema, usando as mesmas palavras chave..Tal a riqueza desta lingua Pátria que é a nossa e alguns teimam em assassinar.. Dificil escolher um texto, acho que todos são subejamente bons..Fico feliz, espero não destoar..um abraço, ell
entre o real e o imaginário, do romântico a questões sociais, do mais sério a algo com uma pincelada de sarcasmo tudo aqui se encontra e a vantagem é que se encontra com qualidade. Obrigado a todas/os. Já repararam que, para além de nos enriquecermos com cada texto alguns deles parecem dialogar uns com os outros, vindos de pessoas que, creio, nem se conhecem?Fraterno abraço
Estou a adorar este desafio, principalmente pela oportunidade de ler textos de tão elevada qualidade. Estão todos de parabéns, principalmente o Eremita pela sua iniciativa, pelo seu trabalho, disponibilidade e acima de tudo pela oportunidade que deu a todos nós. Um grande Bem Haja Eremita.Beijinho
Em alta!Altamente!!!Parabéns a todosBeijinhosFa
E porque não irmos já pensando em compilar num só volume todos os textos que vamos compondo para estes jogos?Um grande abraço para ti Eremita, génese desta ideia e a todos os participantes pela disponibilidade de tempo, pelo gosto e pela arte de, com a obrigação da utilização de 12 palavras, terem conseguido elaborar algo agradável para ler aqui na blogoesfera.Mais uma vez parabéns, amigos.Vamos continuar!
Se tivesse que esclher o melhor ou o pior ficava atrapalhado...São todos muito bons.Abraços.
Muito bom participar de mais esse.abraços
Sorrisos!:))
É fascinante encontrar textos tão maravilhosos e instrospectivos. Verdades ou contos, estórias e histórias, tudo junto, dançando a música da escrita.Abraços...
Ainda não lera todos os textos com o carinho devido. E gostei imenso. Misturei a leitura com pequenas gotas de cobiça pelo dom de terceiros.Criancice minha, a condizer com o mimo exagerado que um dia me deram... Como gostava de ser assim, como toda a gente. Palavras que parecem flutuar sem medos nem dúvidas.
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16 comentários:
Aqui respira-se poesia!!!
:-)
Edu
paradoxos
Completando o pensamento do Eduardo de cujo texto gostei muitíssimo : aqui respira-se poesia e é certamente por isso que este é um espaço com um perfume tão agrdável.
Que belíssimos textos.
Parabéns a todos.
Um beijinho amigo e ao anfitrião um beijinho muito especial com todo o carinho amigo da
Maria
Esta ... Maria ...
:)
Beijinhos
Que multidão de olhares! Que riqueza! E que escritores...
Estou parva.
eremita que tal compor um livrito?
e adorei sem descurar os outros todos o humor do texto do Zé Viajante.
Até a vista, estou de ida! (mas ao contrário da minha personagem, nao vou desaparecer!)
Abraçossss
os contadores de histórias ganharam voz no eremitério! enriquecendo-o de pura abundância :))
Estou deslumbrada, aqui se fala de morte, de vida, de alegria e tristeza..Se fala de crianças e de adultos, em prosa e em poema, usando as mesmas palavras chave..Tal a riqueza desta lingua Pátria que é a nossa e alguns teimam em assassinar.. Dificil escolher um texto, acho que todos são subejamente bons..Fico feliz, espero não destoar..um abraço, ell
entre o real e o imaginário, do romântico a questões sociais, do mais sério a algo com uma pincelada de sarcasmo tudo aqui se encontra e a vantagem é que se encontra com qualidade.
Obrigado a todas/os.
Já repararam que, para além de nos enriquecermos com cada texto alguns deles parecem dialogar uns com os outros, vindos de pessoas que, creio, nem se conhecem?
Fraterno abraço
Estou a adorar este desafio, principalmente pela oportunidade de ler textos de tão elevada qualidade. Estão todos de parabéns, principalmente o Eremita pela sua iniciativa, pelo seu trabalho, disponibilidade e acima de tudo pela oportunidade que deu a todos nós. Um grande Bem Haja Eremita.
Beijinho
Em alta!
Altamente!!!
Parabéns a todos
Beijinhos
Fa
E porque não irmos já pensando em compilar num só volume todos os textos que vamos compondo para estes jogos?
Um grande abraço para ti Eremita, génese desta ideia e a todos os participantes pela disponibilidade de tempo, pelo gosto e pela arte de, com a obrigação da utilização de 12 palavras, terem conseguido elaborar algo agradável para ler aqui na blogoesfera.
Mais uma vez parabéns, amigos.
Vamos continuar!
Se tivesse que esclher o melhor ou o pior ficava atrapalhado...
São todos muito bons.
Abraços.
Muito bom participar de mais esse.
abraços
Sorrisos!
:))
É fascinante encontrar textos tão maravilhosos e instrospectivos. Verdades ou contos, estórias e histórias, tudo junto, dançando a música da escrita.
Abraços...
Ainda não lera todos os textos com o carinho devido. E gostei imenso.
Misturei a leitura com pequenas gotas de cobiça pelo dom de terceiros.
Criancice minha, a condizer com o mimo exagerado que um dia me deram... Como gostava de ser assim, como toda a gente. Palavras que parecem flutuar sem medos nem dúvidas.
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